MUSEU DO PÃO
Prestes a chegar a um milhão de visitantes

Divulgar o pão português é um dos objetivos do espaço, em Seia, explica Sérgio Carvalho, diretor científico do Museu do Pão, em entrevista.


Como nasceu o Museu do Pão?

O Museu do Pão nasceu em 1996, resultado dos esforços e das sinergias entre um pequeno grupo de professores e de empresários que se lançou na tarefa de edificar em Portugal um museu dedicado ao património, à história e aos saberes e sabores do pão nacional. Desde então, e até ao ano de abertura, em 2002, procedeu-se à constituição do espólio e à reconstrução do imóvel.

Tratando-se de um produto tão importante e variado, quais foram os critérios para a escolha da exposição permanente? E das exposições temporárias?

Decidiu-se que o Museu do Pão refletiria apenas o pão português. A sua riqueza ancestral assim o justifica. Esta opção não foi evidente. Muitos dos mais reputados museus do pão estrangeiros refletem o pão em termos internacionais. Mas para nós pareceu evidente que o nosso museu exibisse e preservasse a história, a etnografia, a arte e os sabores do pão português. Para isso edificámos quatro salas autónomas, mas interligadas: a Sala do Ciclo do Pão (mais agrícola); a Sala do Pão Político, Social e Religioso (que fala da história do pão e da sua simbologia religiosa); a Sala da Arte do Pão (que exibe muito material artístico inspirado no pão), e a Sala Pedagógica (vocacionada para as crianças e que associa a vertente lúdica à vertente didática). As exposições temporárias devem refletir sempre, lato sensu, o tema do museu. Por isso exibimos exposições que falam do pão, da terra, da nossa gastronomia.



Qual a importância de um museu deste género num país com uma grande tradição ao nível do pão?

A grande afluência de público (estamos prestes a alcançar um milhão de visitantes) e as boas críticas dizem-nos que os portugueses estavam sedentos deste regresso às origens, a uma certa tradição, ao “aquilo que é nosso” e que faz parte da alma de um povo. Afinal, sabemos que, se abdicarmos da nossa cultura, perdemo‑nos como povo. E hoje essa identidade está mais ameaçada que nunca. Consciente ou inconscientemente, as pessoas têm essa perceção. Por isso se identificam com o que exibimos e nos visitam. Muitas pessoas referem ser a primeira vez que visitam um museu. E isso orgulha-nos.

Além de poderem aprender a fazer pão, que outras valências oferece o museu a quem o visita?

De facto as crianças aprendem, ludicamente, a fazer pão. E isso é muito importante para elas. Muitas pensam que o pão vem do supermercado. Mas temos ainda o restaurante do museu, onde se recuperam os bons sabores da nossa terra e do nosso pão; temos uma mercearia que recria os velhos espaços das velhas aldeias. Temos um bar e uma pequena biblioteca temática, em cujo espaço se levam a cabo muitas e constantes iniciativas culturais, como as nossas tertúlias, por onde já passaram mais de setenta das mais destacadas personalidades da cultura portuguesa. Temos um atelier artístico que elabora belas peças escultóricas em massa de pão. O museu pretende ser um espaço de cultura, mas também de lazer.

SAÚDE

Que conselhos dá às pessoas que ainda afirmam que o pão é prejudicial à saúde?

Se barrarem uma fatia de pão com uma grossa camada de manteiga bom, aí talvez não faça muito bem à saúde. Mas a culpa é nossa. E da manteiga. O pão é um alimento saudável. E há muitos tipos de pão, uns ainda mais saudáveis que outros. Neste campo é até possível fazer investigação e promover hábitos alimentares sadios e adaptados aos tempos de hoje. É o que faz o Museu do Pão, que criou e comercializa o Pão São para diabéticos e o Pão São vocacionado para as questões do coração. Esses pães foram, aliás, desenvolvidos com as associações do setor, o Instituto Português de Cardiologia e a Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal, o que é garantia da sua qualidade.


Contactos

Quinta Fonte do Marrão
6270 Seia, serra da Estrela – Portugal
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